Américas
Na próxima semana, todas as atenções estarão voltadas para a reunião de política monetária de setembro do Federal Reserve (EUA); dados de inflação acima do esperado e a alta nos preços ao produtor vão influenciar as decisões dos formuladores de políticas econômicas. O núcleo do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,3% em agosto, superando as expectativas, enquanto a inflação cheia aumentou 0,4% na comparação mensal e 3,4% na anual. Após o discurso do membro do conselho no mês passado — amplamente interpretado como um sinal de postura mais restritiva (*hawkish*) —, as expectativas de um aumento nas taxas de juros cresceram; os mercados já precificam quase totalmente uma elevação de 25 pontos-base após a divulgação do CPI, embora alguns analistas permaneçam céticos quanto à possibilidade de o Fed realmente elevar os juros. O calendário econômico dos EUA também estará movimentado, com destaque para a divulgação de dados sobre preços de importação, vendas no varejo e produção industrial. Espera-se uma alta de 0,2% nos preços de importação em agosto na comparação mensal, uma recuperação após duas quedas consecutivas, impulsionada pela continuidade da pressão de alta nos preços de energia decorrente do conflito entre EUA e Irã. Por sua vez, a previsão é de um aumento de 0,9% nas vendas no varejo, após uma queda de 0,6% em julho. A produção industrial deve crescer 0,3%, um ritmo ligeiramente superior à alta de 0,2% registrada em julho. Os mercados também acompanharão dados sobre início de construção de moradias e licenças de construção, vendas de imóveis pendentes e confiança das construtoras, bem como estoques empresariais, fluxos de capital e pesquisas regionais de manufatura dos Fed de Nova York e da Filadélfia. Em outras partes das Américas, o Canadá divulgará dados de inflação: espera-se que o CPI permaneça estável no mês, enquanto a previsão é de alta de 0,2% no núcleo da inflação; dados do PPI (Índice de Preços ao Produtor) também serão publicados. O Brasil divulgará números sobre confiança empresarial e vendas no varejo. O nosso Banco Central do Brasil anunciará sua decisão mais recente de política monetária na próxima quarta-feira, com a inflação de agosto vindo abaixo do esperado, o que traz certo alívio para os formuladores de políticas que buscam dar continuidade ao ciclo de flexibilização monetária.
Europa
Na próxima semana, os mercados europeus concentrarão sua atenção na política monetária e em dados econômicos importantes, com destaque para a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) sobre as taxas de juros, prevista para quinta-feira. Economistas esperam que o BoE mantenha as taxas inalteradas em 3,75%, embora os mercados já precifiquem quase totalmente uma alta em novembro e cerca de três aumentos adicionais até início de 2027. O presidente do banco, Andrew Bailey, tem refutado as expectativas de um aumento iminente, afirmando que a precificação atual do mercado inclui um "prêmio de risco" associado a preocupações com novos aumentos nos preços da energia. O relatório de inflação do Reino Unido, a ser divulgado na quarta-feira, será acompanhado de perto; espera-se que a inflação anual acelere para 3,1% — seu nível mais alto em cinco meses —, enquanto a previsão é de que o núcleo da inflação suba para 2,7%. A taxa de desemprego deve subir para 5%, ao passo que a média dos ganhos semanais, incluindo bônus, deve desacelerar para 3,9%. Também se espera uma queda nas vendas no varejo pelo segundo mês consecutivo. Na Alemanha, a expectativa é de melhora no indicador ZEW de sentimento econômico pelo quinto mês seguido. Paralelamente, prevê-se uma queda na produção industrial da Zona do Euro pela primeira vez em seis meses. Outras divulgações incluem os preços de atacado e ao produtor na Alemanha, bem como dados da balança comercial da Zona do Euro, da Itália e da Suíça. Também serão divulgados os números finais da inflação para a Zona do Euro, França, Itália e Espanha, com a expectativa de que todos confirmem uma aceleração. No cenário político, as eleições parlamentares na Suécia serão acompanhadas com atenção, uma vez que a oposição de centro-esquerda mantém uma vantagem estreita nas pesquisas sobre o bloco de direita que está no poder.
Ásia-Pacífico
Na China, os investidores receberão uma série de dados mensais que devem oferecer mais informações sobre o desempenho da economia em agosto. Espera-se que a produção industrial cresça a um ritmo ligeiramente mais acelerado, de 4,8%, enquanto as vendas no varejo devem registrar alta de 0,8%. Por outro lado, prevê-se uma nova queda nos investimentos em ativos fixos, com recuo de 7,1%. Também serão divulgados indicadores de oferta monetária; espera-se que os novos empréstimos em yuan atinjam 400 bilhões de yuans, recuperando-se da queda para 340 bilhões registrada em julho. Dados sobre preços de imóveis, desemprego e oferta monetária também serão publicados. No Japão, as atenções se voltarão para a reunião de política monetária do Banco do Japão; a expectativa geral é de que a autoridade monetária eleve as taxas de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, em meio a pressões inflacionárias persistentes. Os investidores também avaliarão os dados de comércio exterior e inflação do Japão referentes a agosto. Espera-se que a inflação básica permaneça estável em 1,8%, ao passo que o déficit comercial deve aumentar, com a desaceleração do crescimento tanto das exportações quanto das importações. Também se prevê uma queda de 2,8% nas encomendas de máquinas em julho. Na Índia, a previsão é de que a inflação ao consumidor suba para 4,8% em agosto — o nível mais alto desde dezembro de 2024 —, refletindo principalmente o aumento dos custos de alimentos e combustíveis. Espera-se também uma aceleração da inflação no atacado, chegando a 9,89%. Dados comerciais e números de desemprego de agosto também serão divulgados. Em outras regiões, Cingapura, Malásia e Nova Zelândia devem publicar dados comerciais, sendo que a Malásia também divulgará números de inflação. A Nova Zelândia apresentará o PIB do segundo trimestre, enquanto a Coreia do Sul divulgará dados do Índice de Preços ao Produtor (PPI). Por fim, Taiwan e Paquistão também anunciarão suas decisões de política monetária.
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